Os bancos brasileiros não estão mais apenas adotando inteligência artificial, estão construindo-a. A decisão de desenvolver plataformas proprietárias de IA está impulsionando uma reavaliação fundamental da infraestrutura de data centers on-premises, e o momento de agir é agora.
Em 2025, espera-se que o orçamento total de tecnologia dos bancos brasileiros alcance R$ 47,8 bilhões, com os investimentos em IA, analytics e big data crescendo 61% em relação a 2024. Globalmente, a escala dessa transformação é igualmente impressionante: 96% dos 650 CIOs e CISOs entrevistados no relatório State of the Application Strategy 2025 já estão desenvolvendo ou iniciando projetos para criar seus próprios modelos de IA. A era de simplesmente consumir ferramentas de IA está dando lugar à era de possuí-las.
Essa transição não é incremental. Ela é estrutural. Na Vertiv, observamos essa mudança de perto: instituições financeiras em todo o Brasil estão buscando nossa expertise não apenas para manter a infraestrutura existente, mas para redesenhá-la completamente para suportar cargas de trabalho de IA
O que os bancos estão construindo
Plataformas proprietárias de IA exigem orçamentos dedicados, equipes especializadas e múltiplos ciclos de testes e aprimoramentos. O objetivo final é um modelo híbrido de IA, em que as conexões com plataformas públicas sejam protegidas por ambientes controlados, permitindo que as instituições impulsionem a produtividade e ofereçam melhores experiências para clientes, parceiros e colaboradores.
O caso de negócio é claro. No setor financeiro, as plataformas internas de IA buscam três resultados de alto valor:
- Maior eficiência e redução de custos: a IA otimiza o processamento de empréstimos, a detecção de fraudes e o atendimento ao cliente.
- Melhor gestão de riscos: algoritmos de IA identificam padrões em grandes volumes de dados, reduzindo inadimplência, diminuindo provisões financeiras e melhorando margens de lucro.
- Aumento da geração de receita: a IA viabiliza a personalização de produtos e serviços financeiros na escala de milhões de transações por segundo, impulsionando a satisfação e a fidelização dos clientes.
O setor financeiro investiu US$ 35 bilhões em IA em 2023, e esse valor deverá alcançar US$ 97 bilhões até 2027. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 70% dos executivos financeiros globais acreditam que a IA será essencial para a inovação dos negócios nos próximos cinco anos.
Escalar esses resultados exige uma infraestrutura digital crítica preparada para a intensidade energética e térmica das fábricas de IA. Cargas de trabalho de IA de alta densidade estão redefinindo os requisitos de distribuição de energia, resfriamento líquido e integração de sistemas. Uma abordagem sistêmica pode melhorar a eficiência energética e térmica, fortalecer a resiliência operacional e acelerar a implementação de iniciativas de IA geradoras de receita.
As plataformas de IA estão reescrevendo a equação da infraestrutura
A jornada das instituições financeiras rumo à integração da IA está cada vez mais apoiada em infraestruturas híbridas. Segundo o relatório State of Application Strategy 2026 para Serviços Financeiros da F5, as organizações financeiras continuam distribuindo aplicações entre ambientes on-premises, nuvens públicas e privadas, SaaS, instalações de colocation e edge computing
De acordo com a Pesquisa FEBRABAN-Deloitte de Tecnologia Bancária 2026, os orçamentos de tecnologia dos bancos brasileiros devem atingir R$ 50,4 bilhões neste ano, um aumento de 8% em relação a 2025. Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões serão destinados à IA, analytics e big data. Além disso, o relatório State of Application Strategy 2026 da F5 revela que 78% das organizações já operam sua própria infraestrutura de inferência de IA.
Projetos de retrofit de data centers on-premises
Essa realidade está impulsionando projetos de retrofit nos data centers próprios do setor bancário brasileiro. A era do “cheque em branco” para adoção da nuvem pública está, em alguns casos, dando lugar a uma nova visão sobre o papel estratégico do data center da própria instituição.
A Vertiv está apoiando ativamente projetos de modernização em bancos brasileiros, substituindo gerações anteriores de infraestrutura crítica de energia e resfriamento por soluções projetadas para atender às exigências de densidade e eficiência das aplicações de IA. Atualmente, um data center bancário pode operar com 5 kW por rack; no médio prazo, esse valor pode alcançar entre 10 e 25 kW por rack. Em alguns anos, poderá chegar a 100 kW por rack.
À medida que as plataformas proprietárias de IA evoluem, os bancos podem precisar adotar sistemas de energia de maior capacidade e soluções de resfriamento líquido para atender aos requisitos de alta densidade dessas aplicações.
O desafio da redução do consumo de energia
Um aspecto fundamental da transformação atualmente vivida pelos bancos é a redução do consumo de energia. A diminuição do indicador PUE (Power Usage Effectiveness) é essencial nesse processo. O PUE é uma métrica utilizada para avaliar a eficiência energética dos data centers, comparando o consumo total de energia da instalação com a energia efetivamente utilizada pelos equipamentos de TI. Quanto mais próximo de 1 for o valor do PUE, mais eficiente será o data center. Segundo a Pesquisa Global de Data Centers 2026 do Uptime Institute, a média anual de PUE do setor atingiu 1,52, refletindo melhorias graduais na eficiência energética dos data centers.
As melhores práticas empresariais e ambientais têm levado os gestores de data centers a buscar a redução do PUE. Isso também se aplica aos data centers on-premises do setor financeiro e às suas cargas de trabalho de IA. Projetos de retrofit podem incluir sistemas UPS (Uninterruptible Power Supply) e soluções avançadas de resfriamento capazes de proporcionar economia de energia em comparação com tecnologias de gerações anteriores. Além disso, uma abordagem de serviços 360°, abrangendo desde a fase de projeto até o comissionamento, bem como monitoramento, manutenção e serviços de ciclo de vida 24x7, pode otimizar o desempenho da infraestrutura e proporcionar ganhos adicionais de eficiência por meio de suporte proativo e melhoria contínua
Essa evolução já está acontecendo no Brasil e marca uma nova era para os data centers bancários. Modelos de infraestrutura digital crítica desenvolvidos para suportar aplicações de IA de alta densidade tornam-se cada vez mais relevantes. Nessa jornada, as soluções e serviços da Vertiv™ podem ajudar a acelerar a inovação que a IA traz para o setor bancário e fortalecer a competitividade das organizações que sustentam a economia brasileira.
Sobre o autor
Felipe Vasco da Silva, Diretor de Aplicações Tecnológicas da Vertiv LATAM
Com 16 anos de experiência nos setores de tecnologia, data centers e energia, Felipe Vasco adota uma abordagem consultiva junto à equipe de vendas, indo além das soluções da Vertiv™ para desenvolver propostas de valor agregado que impactam a gestão global dos data centers. Em sua função, é responsável pela área de Aplicações Tecnológicas da Vertiv LATAM. Suas principais atividades incluem orientar e acompanhar o desempenho da equipe e os indicadores de vendas, além de avaliar e otimizar as melhores práticas. Antes de ingressar na Vertiv, trabalhou na Schneider Electric, Green4T e Aceco TI. Felipe é graduado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Eletrotécnica, pela UNIP (Universidade Paulista). Também possui pós-graduação em Gestão de Projetos pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e certificação internacional ATD (Accredited Tier Designer) do Uptime Institute.