O crescimento dos data centers impulsionados pela expansão da inteligência artificial (IA) criou uma demanda por talentos essenciais para a economia digital brasileira. As transformações já estão acontecendo: um estudo da Statista aponta que, até o final deste ano, a geração de dados terá crescido mais do que 180 zetabytes (ZB), com o armazenamento de dados devendo crescer a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 20% em 5 anos.
Embora a resposta para essa realidade dependa de novos modelos de infraestrutura crítica, é fundamental, também, equacionar a demanda por profissionais preparados para o projeto, implementação e gestão de data centers preparados para a era da IA.
A lacuna de talentos na América Latina se amplia
A América Latina está enfrentando uma crescente lacuna de talentos tecnológicos. Em todo o mundo, a demanda por profissionais de centros de dados chegará a 2,3 milhões em todo o mundo em 2025, de acordo com o Uptime Institute. Preencher essas vagas é um grande desafio. A ONU estima que, por volta de 2050, 75% de todas as posições profissionais existentes serão relacionadas às disciplinas STEM. No Brasil, vale destacar o estudo realizado pela Brasscom - Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais em 2021. A expectativa é que, até o final de 2025, 797 mil empregos serão gerados no setor de tecnologia. Tudo indica que essa demanda não será atendida. A previsão é de um déficit anual de 106 mil talentos com expertise em tecnologias digitais.
Essa situação levou os setores público e privado da América Latina a implementar programas de capacitação e iniciativas educacionais para desenvolver o pool de talentos tecnológicos necessário. Isso é especialmente premente no que diz respeito às operações de data centers, que são fundamentais para a transformação digital do Brasil como um todo.
O impacto na indústria de TI e a urgência de soluções
A escassez de talentos não é apenas um problema para as empresas, mas também ameaça a competitividade e o desenvolvimento econômico do país. Uma forma de lidar com essa questão é implementar soluções que incluam programas específicos de capacitação e alianças estratégicas com universidades e institutos técnicos. A meta é promover a formação de talentos qualificados. É nesse contexto que estão surgindo no Brasil centros educacionais totalmente focados na formação de mão de obra preparada para gerir o data center de hoje e o do futuro, desenhado e implementado para suportar a altíssima densidade de dados trazida pela IA.
Trata-se de espaços educacionais que reproduzem o ambiente de data center, possibilitando treinamentos hands-on em um ambiente de testes seguro e controlado. Equipamentos críticos mais facilmente encontrados no piso branco de grandes data centers estão em operação – em alguns casos, simuladores facilitam a interação do aluno com a solução de infraestrutura crítica. Instrutores locais experientes treinam profissionais nas melhores práticas para o gerenciamento e serviços de infraestrutura digital crítica, com ênfase em soluções de gerenciamento de energia e gerenciamento térmico.
Iniciativas como essas são a prova de que o setor público e o privado podem juntar forças para alterar o quadro de falta de talentos no setor de data centers brasileiro. A busca por profissionais capazes de resolver áreas críticas como suporte, gerenciamento de projetos e digitalização continuará intensa. Exemplos bem-sucedidos de abordagens educacionais que integram teoria e treinamento hands-on são uma luz para nossa economia digital, em constante expansão.