Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de participar de fóruns do setor, reuniões de liderança e painéis de associações focados no futuro da infraestrutura digital. Uma das mudanças mais encorajadoras que observei é a crescente presença de mulheres nas discussões — seja em engenharia, operações ou em funções de liderança estratégica.
O progresso é visível. Mas também evidencia o quanto ainda precisamos avançar como indústria.
Em um setor que está passando por uma rápida expansão impulsionada pela inteligência artificial e pela crescente complexidade da infraestrutura digital, a questão não é apenas sobre representação — é sobre se estamos aproveitando plenamente o talento disponível para sustentar esse crescimento.
A conversa sobre mulheres na tecnologia frequentemente se concentra em liderança ou em disciplinas STEM. No entanto, a lacuna atravessa múltiplas funções: engenharia, operações, serviços — e também áreas comerciais e estratégicas. Em um contexto onde a demanda por profissionais qualificados supera a oferta, essa não é uma discussão simbólica; é uma questão de competitividade.
A inteligência artificial está elevando os padrões técnicos e operacionais dos data centers. Maior densidade, maiores demandas energéticas e projetos e operações mais sofisticados exigem equipes preparadas não apenas tecnicamente, mas também em gestão, coordenação e execução.
Pesquisas do Banco Mundial indicam que até 38% dos empregos na América Latina e no Caribe podem ser impactados pela IA generativa. A maioria dessas funções deve evoluir, e não desaparecer. No entanto, lacunas no acesso digital e nas competências podem impedir que milhões de trabalhadores se beneficiem dos ganhos de produtividade que essa tecnologia pode proporcionar — evidenciando a necessidade urgente de expandir a base de talentos digitais na região.
Ampliar a participação das mulheres não é um gesto simbólico. É uma decisão estratégica para fortalecer a base a partir da qual a liderança do futuro será construída.
É por isso que iniciativas como o lançamento da Vertiv Academy no México e no Brasil não são apenas programas de capacitação técnica. São um investimento na competitividade regional. Aproximar a infraestrutura digital de jovens profissionais, oferecer experiências práticas e tornar visíveis as trajetórias de carreira dentro da indústria cria oportunidades tanto para mulheres quanto para homens desenvolverem as competências necessárias para contribuir com o futuro do setor. Essas são formas concretas de ampliar o acesso ao talento.
A economia digital continuará crescendo. Os data centers e sua infraestrutura digital crítica se tornarão cada vez mais decisivos para a estabilidade de múltiplos setores. Nesse cenário, o talento — em todas as suas dimensões — é o recurso mais estratégico.
Se queremos que a América Latina seja competitiva na economia digital, precisamos começar ampliando o acesso ao talento que sustentará esse crescimento.